A aula do doutorado realizada nesta segunda (09/03/2026) se teve como foco a discussão sobre inovação educacional e tecnologias digitais, temática central para compreender os desafios contemporâneos da educação. A atividade foi organizada a partir da metodologia Problem Based Learning (PBL), que orientou os momentos de estudo, discussão e reflexão coletiva.
Inicialmente, tivemos aproximadamente 40 minutos para retomar o problema trabalhado no PBL anterior, cujo objetivo era discutir e delimitar os conceitos de Tecnologia, Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC). Essa retomada foi fundamentada nas leituras realizadas previamente e nas contribuições de diferentes autores que discutem o papel da tecnologia na sociedade e na educação.
Nesse momento, foi possível compreender que o conceito de tecnologia vai além da ideia restrita de equipamentos ou ferramentas digitais. Conforme aponta Pinto (2005), a tecnologia deve ser compreendida como uma produção humana relacionada ao desenvolvimento histórico, social e cultural da sociedade. Nessa mesma perspectiva, Kenski (2012) destaca que as tecnologias fazem parte do cotidiano das pessoas e influenciam diretamente as formas de comunicação, aprendizagem e produção do conhecimento.
Ao avançar na discussão, os textos de Moran (2013) e Valente (2014) contribuíram para refletirmos sobre o potencial das tecnologias digitais no contexto educacional, especialmente quando utilizadas para promover metodologias mais ativas, participativas e centradas no estudante. Além disso, as reflexões propostas por Pimentel (2015; 2017) reforçam que o uso pedagógico das tecnologias digitais precisa estar articulado a propostas pedagógicas consistentes, evitando uma visão meramente instrumental dessas ferramentas.
Após esse momento inicial de retomada conceitual, avançamos para o segundo problema do PBL, que teve como foco a discussão sobre inovação educacional e tecnologias digitais. A atividade começou com uma leitura compartilhada do problema, permitindo que todos os participantes compreendessem o contexto apresentado e os desafios propostos.
Em seguida, retornamos para os grupos de discussão, momento em que analisamos os questionamentos presentes no problema e buscamos identificar os principais elementos relacionados à temática da inovação educacional. Durante as discussões, um dos pontos que emergiu com maior força foi a compreensão equivocada que muitas vezes se tem sobre o conceito de inovação, frequentemente associada apenas à introdução de novas tecnologias ou recursos digitais.
Entretanto, como apontam diversos autores da literatura, inovação não se restringe à adoção de novos artefatos tecnológicos. De acordo com Schumpeter (1934), inovação está relacionada à introdução de novas formas de organização, processos ou práticas capazes de gerar transformações significativas em determinado contexto. No campo educacional, essa ideia também é discutida por Rogers (2003), que analisa como as inovações se difundem socialmente e como sua adoção depende de fatores culturais, institucionais e individuais.
Autores como Fullan (2007) reforçam que processos de inovação educacional envolvem mudanças profundas nas práticas pedagógicas, na cultura escolar e nas formas de organização da aprendizagem. Nessa mesma linha, Christensen (2008) discute o conceito de inovação disruptiva, destacando que mudanças significativas em sistemas educacionais podem surgir a partir de novas abordagens pedagógicas e modelos de ensino.
No contexto brasileiro, as reflexões de Almeida (2013) contribuem para compreender a relação entre inovação pedagógica e tecnologias digitais, evidenciando que a integração dessas tecnologias à educação precisa estar associada a mudanças nas metodologias de ensino e nos processos de aprendizagem. Além disso, as contribuições de Pinto e Valente (2011) também reforçam a importância de compreender as tecnologias digitais como elementos que podem potencializar práticas pedagógicas inovadoras quando articuladas a propostas educacionais consistentes.
Dessa forma, as discussões realizadas durante a aula permitiram problematizar concepções simplificadas de inovação e compreender que inovar na educação não significa apenas utilizar novas tecnologias, mas repensar práticas pedagógicas, metodologias e formas de organização do processo de ensino e aprendizagem.
A experiência de discussão coletiva, mediada pela metodologia PBL, mostrou-se bastante significativa, pois possibilitou articular as leituras teóricas com reflexões sobre a prática educacional e sobre os desafios contemporâneos relacionados à integração das tecnologias digitais na educação.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Tecnologias e currículo: trajetórias convergentes ou divergentes? São Paulo: Paulus, 2013.
CHRISTENSEN, Clayton M.; HORN, Michael B.; JOHNSON, Curtis W. Disrupting Class: How Disruptive Innovation Will Change the Way the World Learns. New York: McGraw-Hill, 2008.
FULLAN, Michael. The New Meaning of Educational Change. 4. ed. New York: Teachers College Press, 2007.
KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. Campinas: Papirus, 2012.
MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. Campinas: Papirus, 2013.
PIMENTEL, F. A Aprendizagem das crianças na cultura digital. 2ª ed. rev e ampl. Maceió: Edufal, 2017.
PINTO, Álvaro Vieira. O conceito de tecnologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.
ROGERS, Everett M. Diffusion of Innovations. 5. ed. New York: Free Press, 2003.
SCHUMPETER, Joseph. The Theory of Economic Development. Cambridge: Harvard University Press, 1934.
Excelente reflexão! O seu relato sintetiza de forma muito clara uma das grandes armadilhas da educação: a crença de que a simples adoção de novos artefatos tecnológicos garante, por si só, a inovação educacional.
ResponderExcluirComo você bem destacou a partir das leituras de autores como Fullan e Almeida, a verdadeira inovação exige uma mudança profunda na cultura escolar e nas práticas pedagógicas. É fundamental que as tecnologias digitais sejam encaradas não de forma meramente instrumental, mas como aliadas de propostas metodológicas sólidas e ativas.
É muito interessante notar também como o uso do PBL na aula serviu não apenas como tema de discussão, mas como a própria vivência prática dessa inovação metodológica, permitindo a desconstrução do senso comum e a reconstrução de conceitos tão importantes. Parabéns pela excelente articulação entre a teoria e a prática!
Vem sendo uma construção muito interessante. E compartilhar as vivências, experiências e leituras nos possibilita essas trocas valiosas ao longo de cada aula e no pós encontro também.
ExcluirUm ótimo acervo teórico para pensarmos sobre inovação diante da concepção colaborativa de ensino. Mudanças profundas nas práticas pedagógicas são essenciais para a efetividade da aprendizagem.
ResponderExcluirNão me recordo do conceito quanto à inovação disruptiva; irei utilizar seu referencial para ler sobre.
Inovações disruptivas são inovações que mudam profundamente a forma como algo funciona, substituindo ou transformando modelos, tecnologias ou práticas que já existiam. É uma leitura muito interessante!
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