A segunda aula do estágio docência foi marcada por um momento inicial de contextualização sobre a própria existência da disciplina no currículo. A professora apresentou a justificativa para a implementação do componente curricular, dialogando com os documentos oficiais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que orienta a necessidade de desenvolver nos estudantes competências relacionadas ao uso crítico, criativo e responsável das tecnologias digitais no processo de aprendizagem. Nesse sentido, a BNCC destaca que a escola deve promover práticas que integrem cultura digital, pensamento científico e resolução de problemas no cotidiano educacional.
Como estratégia de mediação, iniciou-se a discussão com a seguinte pergunta disparadora: “O que são tecnologias e como elas transformam o ensino?”. A partir dessa provocação, os estudantes compartilharam percepções e experiências, dando início a um debate coletivo sobre o conceito de tecnologia e sua presença nas práticas educativas.
Na sequência, os alunos apresentaram os resultados de um levantamento que haviam realizado previamente com diferentes pessoas, investigando o que elas consideravam ser ou não tecnologia. A socialização desses dados revelou concepções variadas, muitas vezes associadas apenas a dispositivos digitais, o que possibilitou ampliar a discussão para compreender tecnologia de forma mais abrangente.
Dando continuidade à aula, a professora trouxe exemplos visuais que mostravam como muitas tecnologias surgem a partir da observação da natureza, processo conhecido como Biomimicry (biomimetismo). Entre os exemplos apresentados estavam as nanoventosas inspiradas nas patas da lagartixa, utilizadas no desenvolvimento de materiais adesivos, e superfícies com propriedades de impermeabilidade inspiradas em estruturas naturais. Essas discussões evidenciaram como a ciência observa fenômenos naturais para desenvolver soluções tecnológicas aplicadas em diferentes áreas.
Nesse contexto, também foram mencionadas contribuições do físico Richard Feynman, especialmente suas reflexões sobre a ciência em escalas microscópicas e as possibilidades tecnológicas associadas ao estudo da matéria em níveis cada vez menores, que contribuíram para o avanço de áreas como a nanotecnologia.
Em outro momento de mediação, foi proposta uma nova questão provocativa: “A tecnologia é benéfica ou maléfica para o ser humano?”. A discussão revelou posicionamentos diversos entre os estudantes, mas convergiu para uma compreensão comum: a tecnologia não é, por si só, boa ou ruim; seus impactos dependem de quem a utiliza e de como é utilizada.
Para aprofundar essa discussão, retomou-se o conceito apresentado por Álvaro Vieira Pinto, que compreende a tecnologia como uma produção humana inserida em contextos históricos, sociais e culturais, resultado da relação dialética entre o ser humano e o mundo que ele transforma.
Encaminhando a aula para o momento final, foi proposta uma atividade de produção textual em forma de crônica. Como inspiração, os estudantes ouviram a música Há Dez Mil Anos Atrás, de Raul Seixas, cuja letra provoca reflexões sobre tempo, experiência humana e transformações históricas.
A partir dessa escuta, os alunos foram convidados a escrever uma crônica escolhendo entre dois temas: “Um dia sem tecnologia” ou “As tecnologias do meu dia a dia”. A proposta buscou estimular a criatividade, ao mesmo tempo em que incentivou os estudantes a refletirem sobre a presença da tecnologia em suas rotinas e na sociedade contemporânea.
A aula evidenciou que discutir tecnologia no contexto educacional vai muito além do uso de ferramentas digitais. Trata-se de compreender suas origens, seus impactos e seu papel na construção do conhecimento científico e social.
Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
Álvaro Vieira Pinto. O Conceito de Tecnologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.
Richard Feynman. There’s Plenty of Room at the Bottom. 1959.
Biomimicry – conceito amplamente difundido por Janine Benyus em Biomimicry: Innovation Inspired by Nature(1997).




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