domingo, 5 de abril de 2026

Processo de desconstrução: a autoavaliação até aqui…


A trajetória que tenho percorrido na disciplina de Tecnologias Digitais Educacionais, sob a orientação do Professor Fernando Pimentel, tem sido marcada por um exercício constante e profundo de desconstrução. Se eu pudesse sintetizar todo esse percurso em um conceito central, seria a necessidade de desmanchar certezas prévias para permitir que uma nova estrutura de pensamento se estabeleça. No início dessa jornada, uma frase em particular tornou-se meu guia fundamental: a ideia de que é preciso esvaziar o copo e deixar a bagagem acumulada fora da sala de aula para que o aprendizado seja genuíno. 

Esse processo não é simples, especialmente vindo de um mestrado profissional onde a tônica era a produção educacional e a aplicabilidade direta. A transição para um doutorado acadêmico impõe um rigor teórico e uma exigência intelectual que me forçaram a enfrentar o desconforto do novo e a entender que o início dessa adaptação seria naturalmente difícil.

Nesse caminho de reconstrução, sinto que venho montando um complexo quebra-cabeça onde cada peça exige atenção minuciosa. Em certos momentos, a sensação é a de estar equilibrando as cartas de um castelo de baralho, em que a fragilidade do processo nos obriga a ter cautela, mas a intenção final é erguer uma base teórica que seja verdadeiramente sólida. Tenho compreendido que a evolução acadêmica não é uma linha reta ascendente, pois muitas vezes é necessário dar alguns passos atrás para consolidar conceitos e garantir que os passos seguintes sejam dados com maior firmeza. 


É um trabalho de formiga, construído tijolo por tijolo e degrau por degrau, onde a paciência se torna uma virtude tão necessária quanto a própria disciplina de estudo. Esse movimento de ir e vir tem sido extremamente rico, transformando o que antes era uma base puramente técnica em um alicerce científico robusto.


A minha pesquisa, que segue focada no campo da Educação Híbrida, também foi atravessada por esse turbilhão de mudanças. Ao me aprofundar nas leituras e no contato com diferentes teóricos, percebi que o meu projeto precisava de novos caminhos e de uma reconfiguração que acompanhasse o meu próprio crescimento intelectual. A mudança mais significativa que identifico em mim é a transição de um olhar meramente descritivo para uma postura analítico crítica. Hoje, o meu objetivo ao ler um autor não é apenas reproduzir o que ele diz ou descrever suas ferramentas, mas sim investigar suas intenções, questionar seus fundamentos e analisar de que forma aquele pensamento se sustenta diante dos desafios educacionais contemporâneos. Aprender a analisar criticamente foi o ponto que mais se fixou em minha mente, transformando a leitura em um diálogo ativo e questionador.


Embora o percurso jamais tenha sido apresentado como algo fácil, a gratificação vem da superação diária e da compreensão cada vez mais clara das teorias que sustentam minha investigação. A cada livro lido e a cada autor compreendido, sinto que o esforço se justifica pela qualidade do conhecimento que estou sedimentando.


O que me motiva a retornar a cada segunda-feira e a mergulhar nos textos propostos é justamente essa busca incessante por questionamentos e o desejo latente de buscar respostas para as lacunas que a disciplina nos apresenta. Essa sede pelo saber, alimentada por um processo de construção pacientemente valioso, é o que transforma o cansaço do doutorado em uma experiência de vida profundamente enriquecedora e transformadora.


2 comentários:

  1. Que texto sensível e profundo! É impossível não me enxergar em cada linha dessa sua jornada. Essa desconstrução que as aulas do professor Fernando nos provocam é exatamente o que nos tira do eixo para construir uma base epistemológica muito mais sólida. Sentir o peso da transição para o doutorado acadêmico é um desafio que compartilhamos, e ver você descrever esse processo como um 'trabalho de formiga' e um 'castelo de cartas' é reconfortante. A sua reflexão sobre sair da mera descrição dos artefatos para assumir uma postura verdadeiramente analítico-crítica dialoga intimamente com as nossas angústias na pesquisa sobre Educação Híbrida. Estamos juntos nessa construção tijolo por tijolo!

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  2. Seu relato foi muito importante, Diogo. É interessante e profundo esse movimento de reconstrução que acontece conosco ao longo da disciplina. Que bom que você passou a ter um olhar diferente para os autores; confesso que eu também não penso mais em apenas reproduzir, mas em me questionar e me inquietar sobre o que eles realmente querem nos dizer.
    Acho que esse é um dos maiores ganhos desse processo: aprender a dialogar com as leituras, e não só aceitá-las. Seu texto evidencia muito bem esse caminho de desconstrução que, embora desafiador, é extremamente necessário para o nosso crescimento acadêmico. Me identifiquei muito quando você fala desse movimento de rever certezas e construir novos entendimentos, porque também tenho vivido isso na disciplina. No fim, acredito que é justamente esse incômodo que nos faz avançar e nos tornar mais críticos e conscientes no nosso processo de formação.
    Te desejo muitos aprendizados nessa segunda metade da disciplina que esse processo continue sendo tão significativo e transformador!

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