A aula de ontem foi, antes de tudo, um convite à pausa. Não para interromper o percurso, mas para compreendê-lo. Iniciamos com um processo de autoavaliação, olhando para o caminho trilhado até aqui, reconhecendo avanços, dificuldades e, principalmente, as transformações que já começam a se delinear em nossa forma de pensar a docência.
Na sequência, vivenciamos um momento extremamente significativo: a dinâmica do “amigo doce”. Mais do que uma simples troca, foi um exercício de escuta, sensibilidade e reconhecimento. Escolhemos colegas com os quais nos identificamos e compartilhamos percepções sobre suas trajetórias, destacando evoluções que, muitas vezes, o próprio sujeito ainda não havia percebido. Foi um momento potente, que reforçou o caráter coletivo da aprendizagem e evidenciou o quanto nos constituímos também no olhar do outro.
Dando continuidade, mergulhamos na etapa 3 do PBL da semana, com a construção de uma linha do tempo argumentativa. Esse movimento nos permitiu compreender que a relação entre tecnologias e educação não é recente, tampouco linear. Trata-se de um percurso marcado por avanços, resistências, promessas e reconfigurações constantes. Ao discutir em grupo e depois no coletivo, fomos tensionando nossas próprias compreensões e elaborando novas perguntas.
Entre as principais aprendizagens do Problema 5, que buscava compreender o que a história das tecnologias no ensino revela, ficou evidente que a simples inserção de tecnologias não garante inovação pedagógica. Como discutem Coll, Mauri e Onrubia, o potencial das tecnologias está diretamente relacionado às práticas de uso e às intencionalidades pedagógicas que as sustentam. Não se trata da ferramenta em si, mas do que fazemos com ela.
Também refletimos, a partir de Valente e Almeida, sobre os aprendizados deixados pela pandemia, que evidenciou tanto as possibilidades quanto as desigualdades no acesso e uso das tecnologias. Nesse sentido, a discussão sobre inclusão digital, como apontam Bonilla e Oliveira, mostrou-se fundamental, revelando suas ambiguidades. Incluir não é apenas dar acesso, mas garantir condições reais de participação crítica e significativa.
Ainda assim, algumas questões permaneceram em aberto. Como transformar, de fato, práticas pedagógicas ainda centradas na transmissão? Como evitar que as tecnologias sejam apenas uma camada superficial de inovação? E, talvez a mais inquietante, estamos realmente dispostos a mudar nossa forma de ensinar?
Esse percurso tensiona nossa prática docente e nos desloca de uma posição confortável. Ele nos convida a repensar o papel do professor, não mais como centro do processo, mas como mediador, curador e designer de experiências de aprendizagem.
Encerrando a aula, fomos apresentados ao Problema 6, que traz a história de Marina, uma professora que se vê diante do desafio de compreender e integrar os dispositivos digitais em sua prática. A narrativa não é distante da realidade de muitos de nós.
Na discussão inicial, refletimos sobre a presença dos dispositivos móveis em nosso cotidiano, que é constante, intensa e multifacetada, e sobre como, paradoxalmente, eles ainda são pouco explorados pedagogicamente. Também debatemos seus limites e potencialidades, reconhecendo que, ao mesmo tempo em que podem distrair, também podem ampliar possibilidades de interação, autoria e aprendizagem.
Ao pensar sobre minha própria relação com esses dispositivos, percebo que o tablet já faz parte do meu processo de estudo de forma bastante integrada. Utilizo para leitura de textos acadêmicos, artigos e livros digitais, além de realizar anotações importantes. Ele se tornou, de certo modo, uma extensão do meu espaço de estudo, sendo portátil, acessível e funcional.
A questão que fica agora não é mais usar ou não usar tecnologias, mas como utilizá-las de maneira intencional, crítica e pedagógica. Talvez seja justamente essa a virada que estamos começando a construir.

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