domingo, 14 de junho de 2026

Aprender exige, antes de tudo, a humildade de esvaziar o copo para que novas possibilidades possam preenchê-lo.

 


1. O que você carrega daqui?

Ao finalizar a disciplina Tecnologias Digitais no Ensino, percebo que o principal legado que carrego é um profundo processo de desconstrução e reconstrução. Foi uma disciplina que me tirou constantemente da zona de conforto, provocando questionamentos, inquietações e reflexões que ultrapassaram os limites da sala de aula. A cada PBL desenvolvido, eu saía das discussões com mais perguntas do que respostas, e isso se tornou um motor para estudar, pesquisar, refletir e compreender de forma mais crítica os fenômenos educacionais.

A principal aprendizagem que levo comigo é a compreensão de que as tecnologias digitais não podem ser vistas como soluções em si mesmas. Ao longo das leituras, discussões e atividades, compreendi que sua incorporação precisa ser crítica, intencional e fundamentada teoricamente. A tecnologia só faz sentido quando está articulada a objetivos pedagógicos claros e comprometida com processos significativos de aprendizagem.

Também carrego a compreensão de que ensinar e aprender são processos complexos, marcados pela dúvida, pela reflexão e pela construção contínua do conhecimento. Essa disciplina me ensinou que a inquietação intelectual não é um problema, mas uma condição necessária para quem deseja pesquisar e educar de forma crítica.

2. Como você avalia o seu próprio percurso?

Avalio meu percurso de forma extremamente positiva. Foi uma das experiências formativas mais marcantes que já vivenciei. Desde o início da disciplina, percebi a necessidade de “esvaziar o copo”, deixando de lado certezas prévias para me abrir a novas perspectivas e possibilidades de aprendizagem. Reconheço que, se não tivesse assumido essa postura, grande parte das transformações que experimentei não teria acontecido.

A disciplina me fez ler mais, escrever mais, refletir mais e, principalmente, pensar de maneira mais crítica. Ao revisitar os registros produzidos no e-portfólio, consigo visualizar claramente meu processo de evolução. Cada texto evidencia não apenas a construção de conhecimentos, mas também mudanças na minha forma de compreender a educação, a tecnologia e a pesquisa.

Nem todas as atividades foram desenvolvidas da maneira que eu gostaria. Houve momentos de dificuldade, insegurança e necessidade de recomeçar. Entretanto, esses momentos também foram fundamentais para meu crescimento. Aprendi que errar, revisar e reconstruir fazem parte do processo formativo e que o aprendizado muitas vezes acontece justamente quando somos desafiados a repensar nossos caminhos.

3. O que a disciplina acertou e o que ela poderia fazer diferente?

A disciplina acertou, sobretudo, ao promover uma aprendizagem baseada na problematização, na reflexão e na participação ativa dos estudantes. Os PBLs não foram apenas atividades acadêmicas, mas oportunidades reais de investigação e construção de conhecimento.

Um dos momentos mais transformadores para mim foi o desenvolvimento do PBL relacionado à ludicidade. Antes dessa experiência, minha compreensão sobre o tema era bastante limitada, associando-o quase exclusivamente a jogos e brincadeiras. Ao longo do processo, fui levado a compreender a ludicidade de forma muito mais ampla, entendendo-a como um estado de envolvimento, interesse, prazer e engajamento na experiência de aprender. Essa mudança de perspectiva ampliou significativamente minha visão sobre o tema e resultou na construção de um artigo do qual me orgulho profundamente.

Outro grande acerto da disciplina foi a utilização do e-portfólio como instrumento formativo. O portfólio possibilitou acompanhar meu próprio desenvolvimento, registrar reflexões e tornar visível um processo de aprendizagem que muitas vezes passa despercebido. Foi uma experiência tão significativa que decidi incorporá-la também em minha prática docente durante o estágio.

A disciplina se diferenciou por promover uma metodologia verdadeiramente participativa. Em vez de se limitar à transmissão de conteúdos, criou espaços para diálogo, investigação, colaboração e construção coletiva do conhecimento. Essa característica foi essencial para manter o engajamento e a participação da turma ao longo do semestre.

4. Como você avalia a atuação do professor?

A atuação do professor foi decisiva para o sucesso da disciplina. Mais do que transmitir conhecimentos, ele assumiu o papel de mediador, provocador de reflexões e incentivador da autonomia intelectual dos estudantes.

Um dos aspectos que mais destaco é sua capacidade de escuta. Em um contexto acadêmico em que muitas vezes os processos individuais dos estudantes são negligenciados, ele demonstrou sensibilidade para compreender trajetórias, dificuldades e potencialidades, oferecendo suporte sem retirar dos alunos a responsabilidade pela própria aprendizagem.

Além disso, sua preocupação constante com a qualidade das discussões, das atividades e das experiências propostas tornou cada encontro significativo. As aulas não eram momentos de mera exposição de conteúdos, mas espaços de reflexão, debate e construção coletiva.

Sua atuação evidenciou, na prática, aquilo que discutimos ao longo da disciplina sobre o uso crítico e significativo das tecnologias digitais. Ele não apenas falava sobre metodologias participativas e integração tecnológica; ele as vivenciava em sua própria prática docente.

Como professor e orientador, demonstrou compromisso genuíno com a formação dos estudantes, incentivando o pensamento crítico, a pesquisa e a produção acadêmica de qualidade. Sua mediação foi fundamental para que eu pudesse ampliar minhas perspectivas e desenvolver maior maturidade intelectual ao longo do semestre.

5. Que tipo de professor você quer ser a partir daqui?

A partir das experiências vivenciadas nesta disciplina, desejo continuar construindo uma prática docente comprometida com a participação, o diálogo e a aprendizagem significativa.

Quero ser um professor que reconheça a heterogeneidade presente na sala de aula, compreendendo que cada estudante possui trajetórias, experiências e formas de aprender diferentes. Pretendo desenvolver práticas que valorizem essa diversidade e promovam a construção coletiva do conhecimento.

Também desejo ser um professor capaz de utilizar as tecnologias digitais de forma crítica e intencional, compreendendo que elas devem estar a serviço dos objetivos pedagógicos e não o contrário.

Além disso, quero construir ambientes de aprendizagem que provoquem reflexão, curiosidade e engajamento, assim como esta disciplina fez comigo. Acredito que aprender envolve questionar, duvidar, investigar e reconstruir constantemente nossas compreensões sobre o mundo.

Finalizo esta disciplina com um profundo sentimento de gratidão e realização. Iniciar o doutorado vivenciando uma experiência formativa tão intensa, desafiadora e transformadora foi um privilégio. Mais do que conhecimentos sobre tecnologias digitais, levo comigo novas formas de pensar a educação, a pesquisa e a própria docência.

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