Dando continuidade ao percurso pedagógico, avançamos para as discussões sobre o Diagrama de Ishikawa, focando na construção de perguntas que nos permitissem diagnosticar as causas e efeitos das fragilidades no ensino superior. Ao adentrarmos na terceira parte do PBL, o foco deslocou-se para os desafios e perspectivas da incorporação das tecnologias digitais, onde a análise das práticas híbridas exige a mobilização do modelo TPACK. Conforme proposto por Koehler, Mishra e Cain, a eficácia do ensino na cultura digital depende da articulação equilibrada entre o conhecimento do conteúdo, a pedagogia e a tecnologia. Sem essa integração triádica, a prática docente tende a ficar estagnada no que Puentedura classifica como níveis iniciais do modelo SAMR, onde a tecnologia apenas substitui recursos tradicionais sem promover uma transformação significativa ou a redefinição das atividades de aprendizagem.
A reflexão sobre esses desafios também perpassa a necessidade de superar o isolamento cognitivo e a lógica da transmissão de informações. Para que a educação online não seja massiva nem maçante, como defendem Pimentel e Carvalho, é preciso adotar princípios de autoria e curadoria, transformando o material didático em uma obra aberta. Essa perspectiva dialoga com a inteligência coletiva proposta por Pierre Lévy, na qual o ciberespaço é um ambiente de construção compartilhada e interatividade subjetiva. Quando o docente compreende que o conhecimento na era digital é distribuído em redes, conforme a teoria conectivista de George Siemens, o foco da aula deixa de ser o acúmulo individual de dados e passa a ser a capacidade do estudante de estabelecer conexões relevantes entre diferentes fontes e sistemas.
Nesse cenário, o papel do professor transita de um transmissor de conteúdos para um designer de conversas e interações. Apoiando-se no framework conversacional de Diana Laurillard, entendemos que a aprendizagem acadêmica depende de um ciclo contínuo de diálogo e feedback entre sujeitos. Como destaca Fernando Pimentel, a interação não deve ser vista apenas como um suporte técnico, mas como uma dimensão múltipla que direciona a tutoria para a mediação pedagógica efetiva. Trata-se de uma mudança no fazer para atingir o compreender, tal como defende José Armando Valente, onde a tecnologia atua como uma ferramenta para o pensamento crítico.


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